É muita coisa aqui dentro.
Ao mesmo tempo em que tudo parece claro, e óbvio e até colorido, sinto como se uma nuvem cheia e negra pesasse exatamente em cima da minha cabeça. E ela cisma em me perseguir. Sabe?! Como nos desenhos...! Onde eu vou carrego minha nuvem...cada vez mais cheia mas ainda um pouco longe de chover...
Sinto culpa. Sempre sinto.E, uma vez que a mudança desse sentimento me parece distante, deveria eu me acostumar com esse estado constante de arrependimento...e com-viver com ele como se convive com aquele parente que incomoda tanto, mas que você sabe que não tem solução... que seu "carma" é aguentá-lo mesmo! Carrego minhas culpas...muitas...mas insisto em querer mudar! Em conseguir virar a página e pensar que...passou!
Só assoprar e esperar cicatrizar!
Aceitar!!!
Mas não consigo...a vontade de 'cutucar a casquinha" é maior...e lá vou eu com os dez dedos em cheio...bem no meio do que me dói...bem no meio da feridinha que estava quase cicatrizando...!
Aceitar!!!
Admiro - até com uma invejinha branca - os elevados que aceitam a vida, os fatos, as coisas, os erros, as pessoas...aceitam!!!...Busco essa evolução! Ainda não estou nesse nível...mas caminho...
Sempre me senti tendo que ceder demais e entender demais...e esse medo em aceitar demasiadamente acabou me fazendo aceitar de menos. Qual será o equilíbrio entre aceitação e comodismo???
Só sei que não encaro os fatos, não aceito as pessoas, não me aceito...não quero que as coisas fujam ao esperado...Vivo num eterno conto de fadas!...que acabei criando para as coisas serem um pouco menos dolorosas, e pra não precisar aceitar tanto...
Mas uma hora, a vida real que, até então estava lá, escondidinha, queitinha...uma hora, a vida grita, e pulsa e pede por socorro...e me encara de frente, olho no olho!
O que me resta então, depois dessa intimida urgente, é... aceitar! E acordar, e enxergar, e estar acima das circunstâncias...e parar de esperar o príncipe encantado e de achar que estou sempre sendo perseguida por buxas más. Eu abro aquela porta grande e pesada e lá está ela, e diz, olhando fundo nos meus olhos: - Bem vinda! Esta é a vida real...e sim, ela dói!
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