.aqui tudo mudou de cor. nada mais faz sentido. os pincéis já não cabem. as cores são pastéis. e o que passou é nada além de rabiscos e rascunhos. estou mudando. começarei novos rabiscos que já estão pulsando há tempos.
esse aqui não tem como apagar. um dia, talvez.
mas vou pintar noutro lugar.
21 agosto 2011
14 agosto 2011
Devolva o Neruda que você me tomou, e nunca leu...
A noite na ilha
Dormi contigo a noite inteira junto do mar, na ilha.
Selvagem e doce eras entre o prazer e o sono,
entre o fogo e a água.
Talvez bem tarde nossos
sonos se uniram na altura e no fundo,
em cima como ramos que um mesmo vento move,
embaixo como raízes vermelhas que se tocam.
Talvez teu sono se separou do meu e pelo mar escuro
me procurava como antes, quando nem existias,
quando sem te enxergar naveguei a teu lado
e teus olhos buscavam o que agora - pão,
vinho, amor e cólera - te dou, cheias as mãos,
porque tu és a taça que só esperava
os dons da minha vida.
Dormi junto contigo a noite inteira,
enquanto a escura terra gira com vivos e com mortos,
de repente desperto e no meio da sombra meu braço
rodeava tua cintura.
Nem a noite nem o sonho puderam separar-nos.
Dormi contigo, amor, despertei, e tua boca
saída de teu sono me deu o sabor da terra,
de água-marinha, de algas, de tua íntima vida,
e recebi teu beijo molhado pela aurora
como se me chegasse do mar que nos rodeia.
Na noite de bocas confusas
Um foi um pouco do outro
E mesmo que nada mais aconteça
A eternidade já nos pertence...
Um foi um pouco do outro
E mesmo que nada mais aconteça
A eternidade já nos pertence...
Marcadores:
amor,
caminhos,
coração,
desapego,
esperar,
felicidade,
intenso,
lembranças,
Poesia
Assinar:
Postagens (Atom)